
Nove e meia
São nove da manhã. Caminho só pelas ruas de Vidago. Por mais que o tempo passe, e por mais experiências que vá vivendo, continuo a sentir que nada na vida me dá tanta liberdade como caminhar à chuva, sentir o vento no corpo e caminhar sob as folhas secas que o vento amontoou na berma dos passeios...
A densa neblina ao longe confunde-se com pedaços de algodão...
São nove e meia! Está na hora...
Tenho que me ir embora!
sei que estás à minha espera...
" Tias" Marias
Sempre achei uma certa piada ao facto de na aldeia não se chamar aos vizinhos: Srª Maria, Srª Joaquina, mas sim tia Maria, tia Joaquina. Ainda hoje quando vou à aldeia e vejo as minhas vizinhas, faço questão de manter os velhos hábitos, elas continuam a ser a tia Maria. Uma outra coisa a que sempre achei piada eram aos nomes pelas quais as pessoas eram conhecidas: a tia Maria pitosca, a tia Maria coelha.
Este meu post é de certa forma uma homenagem a estas duas Senhoras: à tia Maria pitosca e à tia Maria coelha. Não resisti fotografa-las, isto porque a apanhei a tia Maria pitosca apanhar couves no quintal dela, mesmo ao lado da casa dos meus pais. Gostei do fio que trazia ao pescoço, como diz a minha amiga Ginha: isto é visceralmente português, visceralmente nosso. Quando lhe disse que a ia fotografar, ela fez-me um sorriso do tamanho do mundo. Acho que já se habituaram a ver-me de máquina no pescoço e já não se sentem inibidas perante a minha câmara fotográfica, mas convém pôr sempre um sorrisinho para se ficar bonita na foto. A "Tia" Maria coelha, tem 89 anos e é das pessoas mais velhas da freguesia. Sei que ainda há pessoas mais velhas que ela, mas não com a sua vitalidade
Este meu post é de certa forma uma homenagem a estas duas Senhoras: à tia Maria pitosca e à tia Maria coelha. Não resisti fotografa-las, isto porque a apanhei a tia Maria pitosca apanhar couves no quintal dela, mesmo ao lado da casa dos meus pais. Gostei do fio que trazia ao pescoço, como diz a minha amiga Ginha: isto é visceralmente português, visceralmente nosso. Quando lhe disse que a ia fotografar, ela fez-me um sorriso do tamanho do mundo. Acho que já se habituaram a ver-me de máquina no pescoço e já não se sentem inibidas perante a minha câmara fotográfica, mas convém pôr sempre um sorrisinho para se ficar bonita na foto. A "Tia" Maria coelha, tem 89 anos e é das pessoas mais velhas da freguesia. Sei que ainda há pessoas mais velhas que ela, mas não com a sua vitalidade
Recordo-me de ser criança e ter exactamente a mesma imagem dela que tenho hoje, uma senhora de idade cheia de energia, quando me disse a sua idade fiquei estupefacta.
Tanta energia, "Tia" Maria!!!
Tanta energia, "Tia" Maria!!!
Take me to Spain...Take me to Portugal
Gueral e o Outono

Já deu para perceber que tudo que se passa na minha aldeia tem um sabor, um cheiro, uma visão diferente! Desde a chuva que bate de mansinho na cara, do vento que me "esbofeteia em pequenas carícias", até às cores do outono!!! tudo é diferente aqui. A vida adquire uma nova tonalidade quando vista da minha aldeia: GUERAL
Destilação (de um dia vazio)

Hoje passo por aqui
A destilar com o fígado a monotonia
Das coisas monótonas
E a vulgaridade de quem se sente vaidoso
E na verdade não é
Imbecil o que se senta e nem olha à volta
Apologista falso do pudor
De ver até uma árvore nua
E sentir dela posse como se fosse sua
Dá-me ranço a vulgaridade dos corpos
E a falta de capacidade de cálculo
Do diâmetro da existência
Aflige-me que depois de tantas lições
E tantos jardins
E tantas lágrimas
E tantos poemas
Coloquemos flores no lamento
Mas deixemos as costas
Bem direitas
Na parede de fuzilamento
Hoje passo mas não fico
Porque não me deixa o vício do fígado
Destilação (de um dia vazio)
A destilar com o fígado a monotonia
Das coisas monótonas
E a vulgaridade de quem se sente vaidoso
E na verdade não é
Imbecil o que se senta e nem olha à volta
Apologista falso do pudor
De ver até uma árvore nua
E sentir dela posse como se fosse sua
Dá-me ranço a vulgaridade dos corpos
E a falta de capacidade de cálculo
Do diâmetro da existência
Aflige-me que depois de tantas lições
E tantos jardins
E tantas lágrimas
E tantos poemas
Coloquemos flores no lamento
Mas deixemos as costas
Bem direitas
Na parede de fuzilamento
Hoje passo mas não fico
Porque não me deixa o vício do fígado
Destilação (de um dia vazio)
(Raúl Cordeiro)
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